Desde a primeira e pioneira versão lançada em 2010, mais de 600 mil clientes escolheram o elétrico LEAF para rodar em diversos países com um carro de emissão zero. Desde seu lançamento, muita coisa mudou e o mundo passou a se conscientizar da necessidade de evolução da mobilidade elétrica no dia a dia.

A Nissan, montadora que mantém um time completo na Fórmula E e fornece motores elétricos para a equipe McLaren, aproveitou o primeiro e-Prix realizado no Brasil para mostrar um pouco do seu laboratório de tecnologia eletrificada: os próprios carros da FE. 

Nissan na Fórmula E 2023

Nissan na Fórmula E 2023

Já na terceira geração (GEN3), os carros de competição da FE evoluíram muito. Agora não é mais necessário fazer a troca de carro durante a corrida, pois os avanços em termos de capacidade de armazenamento de energia, recarga e regeneração permitem aos piloto completarem a com apenas uma carga.

Francisco Medina, gerente de veículos elétricos da Nissan América do Sul

Francisco Medina, gerente de veículos elétricos da Nissan América do Sul

Francisco Medina, gerente de veículos elétricos da Nissan América do Sul, destacou exatamente este ponto durante conversa com jornalistas no ePrix de São Paulo: "um dos maiores desafios da Fórmula E é explorar ao máximo o aumento de autonomia da bateria. Cabe ao piloto saber administrar essa questão."

Rogério Louro, Diretor de Comunicação da Nissan Brasil

Rogério Louro, Diretor de Comunicação da Nissan Brasil, e Francisco Medina, Gerente de Veículos Elétricos da Nissan

Um dos exemplos de avanços tecnológico entre as gerações dos carros é a regeneração de energia. Nos carros da primeira geração, a capacidade de recuperação era de até 100 kW, provenientes dos freios apenas das rodas traseiras. Agora no GEN3, a frenagem regenerativa é feita nos dois eixos (dianteiro e traseiro) e alcança pico de 600 kW. Isso é um reflexo da adoção de dois motores propulsores, que além de melhorar a aderência no solo, também beneficia o desempenho e a segurança. Essas evoluções são transferidas aos modelos de rua ao longo do tempo.

Nissan na Fórmula E 2023

Evolução dos carros da Fórmula E

O grande salto tecnológico é sem dúvida a redução do peso e tamanho das baterias e aumento da densidade energética. Os carros Gen3 conseguiram ficar até 80 kg mais leves do que os Gen1, enquanto a capacidade de regeneração saltou de 100 kW para 600 kW e a potência foi de 200 kW para 350 kW (agora com dois motores).

Nissan na Fórmula E 2023

Vale destacar também que mesmo mais leve, os carros ficaram potentes, mais rápidos e conseguem completar um corrida completa com apenas uma carga. No meio desta evolução estão os trabalhos de gerenciamento de energia e, claro, dos pilotos na pista. O objetivo é saber o momento certo de "gastar" energia, ou poupá-la, para conseguir a melhor posição possível.

Veja o quadro comparativo:

 GEN1GEN2GEN3
Comprimento5.320 mm5.160 mm5.016,2 mm
Altura1.050 mm1.050 mm1.023,4 mm
Largura1.780 mm1.770 mm1.700 mm
Entre eixos3.100 mm3.100 mm2.970,5 mm
Peso (incluindo piloto)920 kg (bateria 450 kg)900 kg (bateria 385 kg)840 kg
Potência máxima200 kW250 kW350 kW
Regeneração máxima100 kW250 kW600 kW

Velocidade máxima

225 km/h280 km/h321 km/h

Motor

TraseiroTraseiroDianteiro e traseiro

Pneus

MichelinMichelinHankook

Evolução das baterias

O próximo passo da Nissan serão as baterias de estado sólido. Durante a Fórmula E, Medina disse a InsideEVs.com que a montadora está se preparando para a produção em massa dessas novas baterias, que o objetivo é ter carros com esta tecnologia no mercado até 2028. "Baterias em estado sólido podem acumular três vezes mais energia e reduzem o tempo da recarga. Elas trabalham melhor em uma faixa maior de temperatura, tanto frio como quente, além de aquecerem bem menos. Tudo isso permite também reduzir custos relacionados à refrigeração das células", disse Medina.

Galeria: Nissan na Fórmula E 2023

Em fevereiro, a marca apresentou a sua estratégia a longo prazo e ajustando para cima os objetivos do seu plano Nissan Ambition 2030. Com a atualização, a empresa promete o lançamento de 27 modelos eletrificados no mercado até ao final da década, 19 dos quais serão totalmente de emissão zero. Tem muita coisa por vir e a tecnologia que vimos na Fórmula E estará presente em praticamente todos os modelos.